já se falava dela há algum tempo, mas ainda não era certo: a série da HBO vai ter uma terceira temporada, com Mahershala Ali como protagonista; a data de estreia ainda não é conhecida



Mahershala Ali é o único actor confirmado na terceira temporada de True Detective - REUTERS/DANNY MOLOSHOK


Em 2012, a HBO estreou True Detective, uma série policial com Matthew McConaughey e Woody Harrelson como protagonistas. Com todos os episódios escritos e realizados pelas mesmas pessoas – Nic Pizzolatto e Cary Fukunaga, respectivamente –, uma raridade na televisão norte-americana, a primeira temporada da série de antologia foi um êxito junto do público e da crítica e teve a sua quota parte de responsabilidade na revitalização da carreira de McConaughey – a chamada McConnaissance – pela forma brilhante como o actor interpretou o detective de homicídios niilista Rust Cohle.


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Passados três anos, True Detective e Pizzolatto voltaram à carga com uma segunda temporada, desta feita sem Fukunaga e com realizadores variados – seis para um total de oito episódios –, um co-argumentista, o romancista Scott Lasser, em dois episódios, e Colin Farrell e Rachel McAdams como nomes mais sonantes de um elenco mais vasto e menos focado. Público e crítica concordaram que não era a mesma coisa e as audiências baixaram.


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Mas agora vai mesmo haver uma terceira temporada. Depois da Luisiana e da Los Angeles das duas primeiras temporadas, a série rumará agora às montanhas Ozark, que atravessam o Arkansas, o Missouri e o Oklahoma e serviram este ano de cenário e nome para uma série do Netflix. A história vai girar à volta de um crime macabro e desenrolar-se-á em três períodos temporais distintos – o que não é novidade nenhuma por estes lados. Mahershala Ali fará o papel de um detective da polícia estatal do Nebraska. Não se sabe mais nada, nem se dividirá o protagonismo com alguém.

Esta nova época nem sempre foi uma certeza. Depois da segunda temporada, houve muita especulação sobre se e quando haveria um novo capítulo. Em maio de 2016 não ia acontecer, dois meses depois afinal já ia. Uma confusão que começou a dissipar-se este ano, com notícias um pouco mais concretas: em março, foi anunciado pela Entertainment Weekly que a série ia voltar, que já estavam dois guiões escritos e que Pizzolatto (que antes de criar True Detective era mais conhecido como romancista, contista e professor e só tinha como créditos em televisão dois episódios de The Killing) teria a ajuda do veterano David Milch aos comandos da série.

Milch é uma torturada lenda viva da televisão que anda nisto há 35 anos: nos anos 1980 foi responsável pelas últimas temporadas da revolucionária série policial A Balada de Hill Street, na década seguinte co-criou outra série policial importante, A Balada de Nova Iorque, e, já nos anos 2000, foi o responsável pelo western da HBO Deadwood, cuja continuação em forma de filme teima em não chegar. Nos últimos dez anos, projectos seus na HBO como a estranha John From Cincinatti e Luck, a série sobre corridas de cavalos com Dustin Hoffman, não passaram da primeira temporada, e outros dois ficaram-se por episódios piloto.


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É, no mínimo, uma escolha estranha para impor ordem num argumentista menos rodado, já que é alguém que não é muito dado a organização e regras e as histórias dos seus comportamentos erráticos (que vão de urinar da janela do andar de cima do edifício em que trabalhavam os argumentistas de A Balada de Hill Street para um canteiro de flores à entrada do prédio a reescrever radicalmente os guiões dos episódios das suas séries momentos antes de serem filmados, passando por tratar mal colegas e subordinados) são míticas em Hollywood. Mas é, ao mesmo tempo, um dos mais brilhantes argumentistas que a televisão norte-americana já conheceu, por isso é uma escolha que poderá correr muito bem.

Já em julho, depois de começarem a circular rumores, confirmou-se que Ali, vencedor de um Óscar de Melhor Actor Secundário pelo seu papel em Moonlight, se tinha juntado ao elenco e só faltava encontrarem um realizador. É alguém com vasta experiência em contextos televisivos, tendo aparecido recentemente em séries como Luke Cage e House of Cards.

Segundo a The Hollywood Reporter, que cita um comunicado emitido pela HBO na quinta-feira a confirmar finalmente a temporada e todas as informações que tinham saído antes, esse realizador foi encontrado na pessoa de Jeremy Saulnier, responsável pelos ultra-violentos e tensos Ruína Azul e Green Room. A tarefa será dividida com Pizzolatto, que se estreia assim na realização. Já estão cinco guiões escritos, um deles assinado a quatro mãos por Pizzolatto e Milch, mas não há certezas sobre a data de estreia nem sobre se haverá mais ou menos do que os oito episódios das temporadas anteriores.




























in PÚBLICO.pt